From Here To Eternity


Especial: Música: A Morte do Metal Melódico_Parte 1

Os modismos existem em praticamente todos os estilos musicais, e no Heavy Metal não é diferente. Porém no metal a coisa acontece sempre no underground e estas ‘modas’ não são criadas pela mídia como acontece na música POP e em outras vertentes mais leves do rock.  As modas metálicas parecem que são criadas sem que tenham esta intenção de serem modas. O que acontece é que algumas bandas tentando sair do lugar comum, testam novas fórmulas e acabam obtendo sucesso e assim criando um novo estilo. Daí que outros músicos ouvem, gostam e começam a fazer um som semelhante. Logo, inúmeras bandas aparecem seguindo esta nova tendência e as gravadoras começam encher seus casts com este novo som que começa a chamar a atenção do público.  

 

Nos últimos anos tivemos vários exemplos destas modas surgindo na cena Heavy Metal mundial. Como o Sinfonic Black Metal, onde cópias de Dimmu Borgir e Cradle of Filth apareciam aos montes, o Gothic Metal com vocais estilo ‘A Bela e a Fera’, o chamado  Melodic Death Metal de bandas como Children of Bodom e In Flames e também o Metal Melódico. Porém, à medida que estas modas vão passando, os modistas a esquecem, mas elas continuam tendo seu público fiel e as principais e mais honestas bandas continuam firmes e fortes, enquanto que os oportunistas que tentaram pegar carona no sucesso alheio caem no esquecimento. Entretanto como veremos a seguir, este ciclo lógico não vem ocorrendo em se tratando do Metal Melódico.

 

Mas antes de entrarmos realmente no assunto do título da matéria devemos conhecer um pouco mais sobre este estilo veloz e melodioso de se tocar Heavy Metal.

 

No final dos anos 80 surgia na Alemanha uma nova maneira de se fazer Rock Pesado. Este novo estilo trazia o peso do Heavy Metal de nomes como Iron Maiden e Judas Priest aliado a riffs de guitarra ainda mais melódicos e um ritmo mais veloz. A paternidade dessa nova vertente do Metal foi atribuída a banda Helloween que lançou naquela época os dois discos que definiriam o estilo, Keepers of the Seventh Keys Part I e II (1987 e 1988 respectivamente). Na Europa o estilo ficou conhecido como Speed Metal, porém no Brasil se popularizou com o nome de Metal Melódico.

 

Ainda na década de 80, inúmeras bandas começaram a surgir ao redor do globo com a intenção de tocar Speed Metal. Porém foi na década seguinte que o estilo obteve seu auge. Bandas como Stratovarius e o próprio Helloween tinham carreiras consolidadas e figuravam facilmente entre as preferidas da maioria dos headbangers. Até aqui no Brasil, que ainda não tinha uma cena tão forte quanto hoje em dia, tínhamos bons representantes do estilo, como o cultuado Viper que após lançar um álbum de Metal Tradicional, o Soldiers of Sunrise (1987), também se renderia ao Metal Melódico no disco seguinte, o clássico Theatre of Fate (1988). Mais tarde, outra banda brasileira alcançaria status de grande nome do estilo, a paulistana Angra, que tinha em sua formação o ex-vocalista do Viper, André Matos.

 



Escrito por Carlos Eduardo Garrido às 11h09
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Especial: Música: A Morte do Metal Melódico_Parte 2

Ainda na última década do milênio passado, com o boom do Metal Melódico uma infinidade de novas bandas surgiram. Muitas das quais, eram de qualidade duvidosa, e logo se via que estavam tentando apenas pegar carona no sucesso de outrem. Clones dos finlandeses do Stratovarius apareciam aos milhares e lotavam as páginas das revistas metálicas  com propagandas de seus álbuns de estréia. A cena definitivamente estava ficando saturada.

O estilo ainda teve um novo suspiro criativo com o aparecimento triunfante dos italianos do Rhapsody, que traziam elementos orquestrados e sinfônicos para sua música. O que a tornava grandiosa e bombástica como nenhuma outra até então. Porém, não demorou nada para que os oportunistas de plantão tentassem entrar na nova onda e lotarem o mercado com músicas épicas e pomposas como as da banda italiana.

E foi então que começou a decadência do estilo. Algumas bandas, talvez as mais talentosas, ainda continuariam produzindo Metal Melódico de qualidade, buscando novas fontes de inspiração e fugindo da mesmice. É o caso por exemplo de Blind Guardian e Kamelot, que desenvolveram personalidade própria e conseguem se reinventar a cada novo álbum, mas sem deixar de lado o estilo que os consagrou.

Tendo dito todas essas coisas, vamos finalmente adentrar a tese de que o Metal Melódico, se ainda não morreu, está com os dias contados. Todavia, antes devemos ainda separar duas vertentes do Metal que normalmente são confundidas pelas pessoas. Pois de fato ambas tem nuances parecidas. Mas para que essa minha tese seja mais bem compreendida e aceita, o leitor tem que ter em mente que Metal Melódico e Power Metal são estilos que se diferem. Para tal, vou tentar através de exemplos mostrar esta tênue diferença que existe entre ambos.

O Power Metal, é um estilo tipicamente germânico, pois suas origens e principais representantes vieram de lá. Bandas como Running Wild, Grave Digger e Rage estão entre as mais importantes. Perceba que estes grupos citados têm uma sonoridade mais áspera e pesada do que as bandas de Melódico, tais como Edguy, Stratovarius ou nosso s conterrâneos do Angra por exemplo. Podemos dizer que Power Metal é algo que está entre o Heavy Tradicional e o Thrash Metal, é mais pesado e veloz do que o primeiro, porém tem menos peso e velocidade que o segundo. Enquanto que o Melódico está entre o Tradicional e o Power. Só espero não ter confundido ainda mais a cabeça do leitor... Mas vamos lá pessoal, é fácil perceber a diferença entre músicas do projeto Avantasia e músicas do Grave Digger por exemplo.

Agora que vimos que existe diferença entre Metal Melódico e Power Metal, e que ambos não são a mesma coisa, finalmente poderemos entrar nos argumentos que tentam provar a morte do Speed Metal.



Escrito por Carlos Eduardo Garrido às 11h04
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Especial: Música: A Morte do Metal Melódico_Parte 3

 

As principais bandas e que em muitos casos ajudaram a definir o estilo, hoje em dia estão buscando novos caminhos musicais. Vejamos por exemplo os alemães do Edguy, depois de atingirem o topo do Melódico com o excelente álbum Mandrake (2001) a banda trouxe uma nova sonoridade para o disco seguinte. Hellfire Club (2004) apresentava um som mais agressivo em algumas músicas. Mas foi no mais recente lançamento do grupo, o bom Rocket Ride (2006), é que a banda investiu pesado em uma nova sonoridade, há muitas faixas que são puro Hard Rock, abandonando quase de vez o estilo que os consagrou.

 

Outro exemplo de banda ícone do estilo e que mudou seu direcionamento, são os finlandeses do Stratovarius que nas duas partes dos Elements (2003) apostou em uma sonoridade mais atmosférica e cadenciada. E evidenciou ainda mais a desistência do Metal Melódico com o novo álbum, que leva o nome da banda no título, onde o grupo apostou no Heavy Metal Tracional da década de 80.

 

E os exemplos não param aí. Ainda temos o Gamma Ray de Kai Hansen que no início da carreira praticava o mais alegre Metal Melódico do globo e hoje em dia também aposta no Metal Tradicional e no Power Metal. Em terras-brasilis isso igualmente ocorre, nossas principais bandas do estilo, Angra e Shaaman, também enveredaram por novos caminhos. A primeira busca auxilio nas bases do Metal Progressivo, enquanto a segunda optou por voltar as raízes do Heavy Metal oitentista.

 

Até mesmo o Helloween, os pais do estilo, já optaram por fazer outros tipos de som, desde uma veia Hard apresentada no Master of Rings (1994) até o cadenciando e sombrio The Dark Ride (2000), em que nada remetia aos velhos tempos. Entretanto, esta banda alemã tentou retornar ao estilo ao qual deram vida no fim dos anos 80, com o lançamento de Rabbits Don’t Come Easy (2003) e do sugestivo e pretensioso Keepers of the Seven Keys Part III (2005). Porém, não obtiveram o sucesso esperado.

 

Claros sinais do fim da linha para o Metal Melódico não? Provavelmente sim, pois se já não bastasse as principais bandas do estilo terem mudado sua sonoridade, muitas outras bandas que ainda insistem em fazer este tipo de Heavy Metal não conseguem respaldo. E não é por falta de qualidade que isto ocorre, pois grupos como Meduza, Insania, Norcturnal Rites e Labyrinth mostram em seus álbuns que sabem muito bem o que estão fazendo e que entendem do assunto. Mas o público headbanger parece já estar cansado de tantas bandas apostando nestas mesmas fórmulas.

 

Por isso, concluo dizendo que o Metal Melódico ou Speed Metal, como chamam os gringos, está à beira do precipício. Pois mesmo existindo novas e boas bandas do estilo, o público não dá mais atenção a elas. E mesmo os ‘mestres’ do estilo estão migrando para outras áreas do Heavy Metal decretando assim o fim do estilo que ajudaram a criar e consolidar.

 

Mas ainda assim, nada impede que daqui a alguns anos, o estilo consiga uma ressurreição. Tal qual aconteceu com o Hard Rock que era uma febre nos anos 80 e até pouco tempo atrás praticamente inexistia. E hoje em dia, quase uma década depois de seu sepultamento, parece estar voltando a ganhar força através de novas bandas e também de grandes bandas que estão voltando à ativa.



Escrito por Carlos Eduardo Garrido às 11h03
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