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Música: Shows – Angra (AERO – Jaú/SP) (10/12/06)_Parte 1 : Introdução

Quando foi anunciado que o Angra faria uma apresentação em minha cidade, Jaú interior de São Paulo, muito começou a ser especulado por parte do público jauense, que não sabia ao certo se o show iria realmente acontecer. Isso porque em outras oportunidades artistas de outros estilos foram anunciados e no dia da apresentação foram cancelados, ou por falta de público ou por golpe dos empresários que não queriam pagar seus cachês. Com esse histórico ruim, a dúvida tinha motivos para existir. Ainda mais contando o fato de que o show seria num domingo, que é um péssimo dia para este tipo de evento, pois a maioria das pessoas tem que acordar cedo para trabalhar no outro dia. Ficava a dúvida, será que mesmo sendo uma banda grande e reconhecida internacionalmente, a cidade conseguiria lotar a casa? Pois, mesmo tendo headbangers fiéis, a cidade não tem muita tradição dentro do Metal, com raríssimos shows do estilo acontecendo em Jaú.
Outro fator de preocupação, era que a organização, não sei porque raios, havia colocado como banda de abertura Os Patrões. Uma banda da cidade que goza de certo prestigio e tem bastante público na região, porém faz um som que nada tem haver com Heavy Metal. O som do grupo é um rock radiofônico. O comentário geral era de que poderia acontecer alguma coisa durante a apresentação dos caras. Afinal, o público estaria ávido para ouvir o Metal Melódico do Angra, mas antes teria que “agüentar” cerca de uma hora de pop rock, com direito a cover dos Ramones, não seria de se espantar, caso começassem a chover coisas no palco deles...
Para tentar evitar ficar muito atrás em uma possível fila, chegamos ao local do evento por volta das 16h, ou seja, com duas horas de antecedência para o horário que estava programado para a abertura dos portões. Nesse horário apenas umas quinze pessoas estavam presentes. E como o tempo parecia passar devagar, sempre vinha a mente a pergunta: porque diabos eu vim aqui tão cedo? Já que parecia muito mais apropriado chegar na hora em que os portões fossem abrir. Enquanto esperava a hora passar, mais pessoas iam chegando aos poucos, você vai fazendo novas amizades e reencontrando velhos amigos. E nessas horas que você percebe que vale a pena sim ficar algumas horas debaixo de um bruta sol vestido com sua camisa preta do Iron Maiden. Além disso, é nesse momento que você conhece figuras impagáveis, como o rapaz que desde a hora que cheguei se encontrava sentado em frete ao AERO com sua garrafa de Smirnoff contando historias dos shows que já havia ido; ou o cara que se apresentava como Satã e entregava pirulitos, que segundo ele, haviam sido roubados de um Papai Noel.
O tempo passava, o sol, que tanto havia nos queimado nesta tarde, já estava se pondo, as portas que estavam previstas para serem abertas às 18h, ainda estavam fechadas, e já passava das 20h. A ansiedade para adentrar ao local começava a ganhar ares épicos e a paciência do povo, que a essa altura já formava uma fila enorme, ia chegando ao fim. Quando por volta das oito e meia da noite, finalmente pudemos cruzar os portões e adentrar o AERO.
Lá dentro, duas coisas chamaram a atenção de imediato. Uma era que haviam dois palcos, o principal para o Angra, e um secundário colocado próximo a parede da direita e bem lá no alto, que seria usado pela banda Os Patrões. A segunda coisa que chamava a atenção era a tal da “área vip”, um pequeno cercado dentro da pista que ficava em frente à parte central do palco. O problema é que muitas pessoas pareciam nem saber da existência de tal área restrita e por isso compraram o ingresso comum e o outro problema é que tinha espaço vago lá dentro, que poderia ser ocupado por outras pessoas que estava em lugares com vista menos privilegiada. Porém, para mim isto tinha pouca importância, até mesmo porque dava para ver bem o show de qualquer lugar e distância dentro da casa.
Escrito por Carlos Eduardo Garrido às 18h48
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Música: Shows – Angra (AERO – Jaú/SP) (10/12/06)_Parte 2: O Show
Então as cortinas caem e Edu Falaschi (Vocal), Rafael Bittencourt (Guitarra), Kiko Loureiro (Guitarra), Felipe Andreoli (Baixo) e Aquiles Priester (Bateria) dão início a primeira apresentação da maior banda de Metal do Brasil em Jaú e já tocando de cara o maior clássico de sua carreira! Nunca imaginei que tivéssemos um show como esse em minha cidade.
Para a felicidade das “noivas” do André Matos, que alegam que só ele consegue cantar Carry On corretamente, Edu Falaschi “fugiu” do refrão, deixando-o para o público cantar sozinho. Assim como também não se expôs à cantar as notas altíssimas do final da música, já que depois dos solos emendaram direto com Nova Era. A platéia pareceu nem ligar para este pequeno detalhe e agitou sem parar com essas duas excelentes músicas.
Logo de cara já se percebia que a banda estava muito entrosada e também muito animada, dava para ver que os músicos realmente estavam felizes por estarem ali. O vocalista diz que o passado da banda realmente é muito importante para eles, mas que agora eles tem que se concentrar no futuro e mandam na seqüência The Voice Commanding You do mais recente álbum, Aurora Consurgens e Waiting Silence do Temple of Shadows.
A apresentação prosseguiu com Wings of Reality, única do Fireworks presente no set, e que pra mim foi uma surpresa, pois não esperava que tocassem-na. Na seqüência vieram as clássicas: Z.I.T.O. do Holy Land, Acid Rain do Riberth, Angels Cry do álbum homônimo, e Heroes of Sand também do Rebirth, que levantaram a platéia. Vale lembrar que a essa altura o vocalista já havia se redimido, e alcançou todas as notas presentes nas gravações originais. Aliás, essa é a melhor performance dele que eu vi até hoje, o homem ta cantando muito!
No curto intervalo entre Heroes of Sand e a próxima música, o vocalista Edu Falaschi foi surpreendido com o pedido do público que gritava: “Saint Seiya! Saint Seiya!”, no que ele respondeu: “Nem sei se eu lembro, mas vamos lá”. Então cantou a capela junto com o público a música Pegasus Fantasy, tema do anime Os Cavaleiros do Zodíaco, que teve a versão nacional interpretada pelo vocalista. Com certeza foi um momento único e bastante divertido, e que calou minha boca, já que eu havia dito uma semana antes em um fórum da banda que essa música não seria cantada nem a pau.
Ego Painted Grey do mais recente álbum foi à próxima a ser executada e apesar de ser uma excelente música, acabou dando uma esfriada na galera com suas partes lentas. Para explodir o público novamente nada melhor do que a seqüência de petardos tocados pela banda. A veloz Angels and Demons do ToS, a megaclássica Nothing to Say do Holy Land e a empolgante Salvation: Suicide do Aurora Consurgens colocaram a galera para chacoalhar a cabeleira.
Escrito por Carlos Eduardo Garrido às 18h46
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Música: Shows – Angra (AERO – Jaú/SP) (10/12/06)_Parte 3: O Show (continuação)
Para dar uma acalmada nos ânimos e colocar a platéia para cantar junto, a banda manda a balada Rebirth. Que acaba sendo sempre um dos pontos altos dos shows, com o vocalista só conduzindo a música para a platéia cantar a plenos pulmões.
A banda deixa o palco e sem mais delongas começa a ecoar dos amplificadores o som do berimbau. E logo a banda está de volta mandando bala com The Course of Nature que abre o novo álbum. Impressionante como essa música fica ainda melhor ao vivo! Quando de repente a música foi interrompida pelo vocalista que pediu para o segurança pegar leve e avisou “a gente ta de olho aqui”. Eu não vi o que aconteceu, pois estava do lado oposto, mas um colega me disse que havia um empurra-empurra um pouco mais exaltado.
Enquanto se preparavam para começar a música novamente, Aquiles puxou Run to the Hills na bateria e depois Rafael tocou os primeiros riffs de The Trooper para delírio geral, mas em ambos os casos a platéia ficou só na vontade. Então The Course of Nature recomeça novamente e todos continuam com a mesma empolgação da primeira vez. O baterista Aquiles Priester veste sua máscara de polvo e para não deixar pedra sobre pedra a banda toca Spread Your Fire, uma das melhores músicas do Temple of Shadows.
Tudo dava a indicar que o show estava fechado, mas o vocalista Edu Falaschi anuncia: “vamos fazer uma brincadeira com vocês que a gente vêm fazendo nos shows e porque não fazer aqui em Jaú também?”. E enquanto os músicos vão trocando de instrumentos, o Edu brinca novamente: “este é um momento que os meninos do Angra gostam bastante, o troca-troca”. Então Felipe Andreoli vai pra bateria, Edu Falaschi fica com uma guitarra, Aquiles vai para o baixo, Rafael Bittencourt se mantém na outra guitarra e Kiko Loureiro assume o vocal. Juntos executam Come Together dos Beatlles, com todos muito a vontade em seus novos instrumentos e parecendo se divertir bastante, o único meio desconfortável parecia ser o Kiko, que não fez feio cantando, mas não tem pose de frontman. Encerrada a música, novamente trocam de instrumentos para tocarem a clássica Smoke on the Water do Deep Purple com Felipe Andreoli e Edu Falaschi nas guitarras, Aquiles Priester no baixo, Kiko Loureiro na bateria e Rafael no vocal, este último mostrando o porque da fama de ser um bom vocalista.
Escrito por Carlos Eduardo Garrido às 18h45
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Música: Shows – Angra (AERO – Jaú/SP) (10/12/06)_Parte 4: Considerações Finais
E assim estava encerrada mais uma grande apresentação da banda Angra, dentre as que eu assisti, a melhor. A banda parecia muito mais à vontade e entrosada do que no show em Bauru na “Cervejaria dos Monges” ano passado. E também em sua melhor forma, com a dupla de guitarras esbanjando técnica, o baixo sempre poderoso de Felipe Andreoli e principalmente vocal cada vez melhor de Edu Falaschi, que parece ter se adaptado muito melhor as musicas antigas e esta cada vez mais solto nas novas, e Aquiles Priester que se firma cada vez mais como um dos melhores bateristas de Metal da atualidade, o que esse cara ta tocando é absurdo! Outro ponto de destaque foi o excelente set-list que abordou praticamente toda a carreira do grupo, até mesmo porque essa é um turnê comemorativa dos 15 anos da banda. E só contou com duas baladas, ao contrário de outras oportunidades em que haviam várias músicas lentas. A opção por tocar Carry On logo no começo da apresentação somou outro ponto a favor, já que ela é uma excelente open act e de quebra evita que a platéia fique pedindo-a a todo momento.
Agora só resta agradecer aos organizadores por essa grande iniciativa e torcer para que venham mais shows de Metal para minha cidade. Agradecer também ao público de Jaú e também da região que conseguiram somar 1200 pessoas no AERO. E também agradecer a banda pela grande noite que eles proporcionaram, mostrando muita disposição mesmo tendo tocado em Belo Horizonte na noite anterior e enfrentado uma longa viagem até aqui.
A única coisa estranha, foi que a banda que deveria abrir o show, tocou depois da banda principal, só não sei dizer se teve alguém que ficou lá para prestigiá-los.
Set-list:
1- Unfinished Allegro, 2- Carry On/Nova Era, 3- The Voice Commanding You, 4- Waiting Silence, 5- Wings of Reality, 6- Z.I.T.O., 7- Acid Rain, 8- Angels Cry, 9- Heroes of sand, 10- Pegasus Fantasy, 11- Ego painted Grey, 12- Angels and Demons, 13- Nothing to Say, 14- Salvation: Suicide, 15- Rebirth, 16- The Course of Nature , 17- Spread Your Fire , 18- Come Together (Beatlles), 19- Smoke on the Water (Deep Purple)
Links Relacionados:
Resenha do show na Cervejaria dos Monges em Bauru (23/07/05)
Resenha do álbum Aurora Consurgens
Resenha do álbum Almah do vocalista Edu Falaschi
Resenha do álbum Temple of Shadows
Escrito por Carlos Eduardo Garrido às 18h43
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Música: Shows – Angra (AERO – Jaú/SP) (10/12/06)_Parte 5: Fotos










Fotos por Carlos Eduardo e Luiz Gustavo Garrido
Escrito por Carlos Eduardo Garrido às 18h39
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