From Here To Eternity


Guerreiros de Fim de Semana_Parte 1

 

 

Prefácio

Para aqueles que não conhecem o nosso Futiba, ele consiste apenas na prática do esporte denominado Futebol. Esta prática vem sendo realizada quase religiosamente todos os domingos. Muitas pessoas diferentes já passaram por ele, desde os primórdios onde dificilmente dava dois times completos até os dias tumultuados onde quatro times podiam ser formados tranquilamente. As equipes sempre são formadas minutos antes do início dos jogos, sempre escolhidas com sabedoria pelo poderoso Jonny, que busca sempre manter o equilíbrio entre as equipes. A frase “O Futiba é sagrado” já virou comum entre seus participantes, que mesmo nas manhãs mais frias de inverno levantam cedo no domingo para não deixar essa tradição morrer.

 

Nesses mais de dois anos em que o Futiba vem sendo praticado, pelo menos 95% dos jogos foram praticados na quadra e apenas 5% em campos. Mas no último fim de semana, fomos desafiados por uma equipe de fora para um jogo no campo, e claro, aceitamos!

 

 

A expectativa era muito grande para a galera do “Futiba” ir a campo enfrentar uma equipe de fora. No caso a “equipe do Jé”. Sim o mesmo que participava do Futiba com a gente, agora ele estava do lado oposto, azar o dele! O confronto estava marcado para domingo às 9h da manhã no campo do clube América.  E quase pontualmente lá estavam todos os atletas de fim de semana reunidos para esta batalha épica.

 

Logo de cara percebíamos que o time adversário era formado em sua maioria por jogadores mais jovens e em melhor forma física que os nossos. Mas isso não nos intimidava de forma alguma. Estávamos confiantes e nada abalaria nossa moral.

 

As equipes estão postas, o time do Futiba era formado por Murilo no gol, Gustavo, General e Cris na defesa, Guilherme, Jonny, Shaolim e Willian pelo meio e Gatinho na frente. Ainda tinha como opção no banco: Fabio, e eu. O jogo começa, o gramado parecia um lamaçal, pois tinha chovido poucas horas antes, os dois times começam a se estudarem e tentam criar alguma jogada entre um escorregão e outro. A partida é dura e os nervos estão à flor da pele. O time adversário formado por jogadores “malas” demonstra habilidade, o nosso garra. Entradas violentas acontecem de ambos os lados, “Você quer que eu vá jogar peteca com você!?” brada nosso goleiro Murilo depois do adversário reclamar da entrada forte. Mas nenhuma mais dramática do que a sofrida por Gustavo. Ele dominava a bola próximo a linha lateral, quando foi atingido por um carrinho. Atingido? Que nada, ele se jogou como um artista e ainda avisou “pega leve”. Maravilhoso, merecia um Oscar. Não à toa ele já foi conhecido como Mr. Migué em tempos remotos.

 

Na beira do campo Jean, que não pode jogar por causa de uma contusão, fazia a vez como técnico, gritando e incentivando a equipe o tempo todo. Corrigia a marcação e cobrava empenho. “Vai Chupeta, chega firme”.

 

Bola aqui, bola lá. E Guilherme, o popular Gui “Coração Valente”, chuta forte e abre o placar. Futiba 1 X 0 Time do Jé. Se tivéssemos uma torcida ela iria a loucura. Pena que não tínhamos...

 

O jogo prossegue, o Time do Jé começa a reagir e coloca pressão em cima de nossa equipe. Não demorou muito e o placar já estava empatado novamente. Logo o time deles havia virado o resultado do jogo. Curiosamente, enquanto isto aconteceu nosso técnico havia deixado a beira do campo... Algumas substituições foram feitas, nossos três reservas entraram em campo, inclusive este que vos escreve. Não resolveu nada. Minha participação foi pífia, afastei algumas bolas, tomei alguns dribles, e escorreguei na lama duas vezes em menos de 15 minutos. E nesse meio tempo ainda tomamos o 3° gol. Resolvi deixar o gramado para dar lugar a Rinaldo que havia acabado de chegar. Ele era praticamente a estrela do time, aquele em que todos depositavam confiança, o homem que iria criar nossas jogadas. Naldinho, como é mais conhecido, mostrou habilidade, buscou jogo, incentivou o time dentro de campo tal qual um capitão. Mas não adiantou, tomamos o 4°. 



Escrito por Carlos Eduardo Garrido às 23h14
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Guerreiros de Fim de Semana_Parte 2

 

Nosso time parecia apático, sabíamos que não estávamos jogando tudo o que poderia. No banco de reserva ninguém queria voltar ao campo. Afinal, lá fora estava mais divertido, era só risada. Enquanto dentro a batalha continuava impiedosamente. Conseguimos chegar ao 2°, Gui foi o nome do gol novamente! Mas isso não mudou muito as coisas, logo sofremos o 5°.

 

Para piorar, nosso principal atacante, Gatinho, deixa o campo alegando que precisaria ir à um churrasco... Tudo bem, ainda tínhamos a experiência do atacante Zé, O Matador. 

 

O jogo transcorreu alternando boas chances de gol para ambas as equipes. Por sorte tínhamos Murilão no gol e  toda a raça de Cris na zaga, que evitaram que tomássemos ainda mais gols. Já nosso ataque continuou desperdiçado boas oportunidades, quase sempre chutando para fora. Foram poucas as bolas nossas que foram na meta adversária, tendo o goleiro deles participado pouco da peleja. 

 

A partida estava equilibrada, mas acabamos tomando mais um. Não percam as contas, esse foi o 6°. Não muito tempo depois, conseguimos reagir e marcamos o nosso 3°. Adivinha de quem foi. Sim, Gui de novo! Ele matou a bola no peito, o zagueiro se atrapalhou e escorregou na lama, e o pequeno artilheiro soltou a bomba pra fazer o seu terceiro gol. Já virou ídolo.

 

Apesar do placar avantajado, a disputa estava equilibrada e nosso time ainda tinha esperança de conseguir uma virada histórica. Mas veio o ultimato, marcou com a nuca o 7° gol de seu time. Foi muito, aí a equipe do Futiba, que já estava perdida em campo desde o começo, pois é acostumada a jogar na quadra, ficou ainda mais perdida. Todos iam ao ataque, mas poucos voltavam, era contra-ataque atrás de contra-ataque. Gol atrás de gol. O 8°, o 9°, o 10°. Era demais para nós.

 

Nem o incentivo de nossa primeira torcedora, uma senhora que estava nas agremiações, adiantou para nos motivar. “Chega de tomar gols, vamos reagir” ela dizia. E depois reconfortava “Depois vocês podem se lavar na ducha do vestiário...”.

 

Antes do jogo terminar ainda tive uma oportunidade para marcar o nosso 4° gol, mas não deu. Após escanteio cobrado pela direita, General tentava uma jogada próximo a lateral da área e tocou rasteiro para o meio da área. Quando estiquei a perna pra dominar a pelota, meu pé de apoio escorregou suavemente no barro, foi o suficiente para o zagueiro adversário me desarmar... 

 

Final de jogo Time do Jé 11 (ou mais) x Futiba 3.

 

Um resultado muito triste. Fomos à guerra e voltamos derrotados. Explicações para esta derrota não faltam. Jean, nosso técnico abandonou sua função no meio do jogo, o que certamente abalou a equipe. Tínhamos desfalques importantes, Leandro Moreira e Bida foram cortados pelo treinador porque foram pra bebedeira na noite anterior, o showman Marcelo e o velocista Jean estavam lesionados. Isso sem falar no Índio Véio, que foi desligado da equipe sem maiores explicações.  Fora isso, nosso time parecia desmotivado, com a exceção do leão Cris, que demonstrou raça até o fim do jogo.

 

E se o gramado tivesse seco, será que perderíamos de forma ainda mais humilhante ou conseguiríamos uma atuação melhor? Ninguém poderá nos responder a essa terrível dúvida. Mas o certo é que fomos valentes, combatemos bravamente, voltamos para casa derrotados. E agora queremos destruí-los em uma revanche sanguinária!



Escrito por Carlos Eduardo Garrido às 23h12
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]


[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]


 
Meu perfil
BRASIL, Sudeste, JAU, JARDIM CAROLINA, Homem, de 20 a 25 anos, Portuguese, English, Música, Livros, RPG, Futebol e Cinema
MSN - metalicos@hotmail.com
Histórico
Outros sites
  UOL - O melhor conteúdo
  Delfos - Jornalismo Parcial
  Whiplash - Rock e Metal
  Adoro Cinema
  Vejaú
  Cena Rock - Independentes por Enquanto
Votação
  Dê uma nota para meu blog



O que é isto?