From Here To Eternity


Música: Entrevista – Ninja (Questão de Honra)_Parte 1

 

 Nessa semana o FHTE conversou com Ninja, baixista-vocalista da banda Questão de Honra, oriunda da pequena cidade de Canela no Rio Grande do Sul. A banda que está na ativa desde 2005 vem conseguindo grande prestigio, com seu rock versátil e bem humorado, em seu estado natal e agora quer alçar vôos maiores dentro do Brasil. É sobre esses e outros assuntos que conversamos, e você confere tudo abaixo:

 

Para quem não ainda não conhece o trabalho da banda. Conte-nos um pouco sobre a meteórica trajetória do grupo, desde seu início em 2005 até os dias de hoje.

 

Sabe, um dia vi um vídeo com um show de uma banda, onde o guitarrista tocava e as mulheres deliravam e gritavam na frente dele no palco, estavam quase tendo um orgasmo! Aí eu pensei “É, esse é o tipo serviço que tô procurando, aliás, não parece um trabalho muito difícil, e dá até pra descolar uns corpinhos”(risos). De lá pra cá muita coisa mudou, descobri que se trabalha mais do que o normal, e ainda, não se tem o respeito que merece pelo trabalho. Na verdade eu e o Ivair (baterista) já nos conhecíamos e tínhamos projetos musicais independentes. Resolvemos formar a Questão de Honra que na época tinha outro guitarrista e também outra proposta. Tínhamos idéias de fazer músicas de protesto e tal. Mas, depois percebemos que seríamos mais úteis pra sociedade levando alegria e diversão pra galera, afinal, os tele jornais já cumprem muito bem a tarefa de nos deixar revoltados (risos). E não é que deu certo? (risos) A Dry (guitarrista) entrou na banda uns 6 meses depois do início da banda, trazendo seu toque feminino e a famigerada TPM (risos). Então, nós fomos a primeira (e única por enquanto) banda da história do município a ser homenageada na Câmara de Vereadores, e também a primeira da região a ter uma música tocando na Argentina, mais precisamente na Rádio Cultura de Buenos Aires. Lançamos um EP Virtual gratuito em 1º de Abril de 2006 com a versão rock de Prenda Minha (que nos levou a Argentina) e mais cinco composições, que chegou a incrível marca de 500 downloads em menos de uma semana. Depois veio o cd “O X da Questão” em Dezembro, fechando um ótimo ano pra gente. Em 2007 fechamos ótimas parcerias, com o David Keller (Vídeos) e acrescentamos o Matias como 4º e 5º membro da banda trabalhando na produção geral fora dos palcos. O resultado foram dois excelentes videoclipes. Ah, e teve mais um EP neste ano também, o Acústico, que comemora dois anos de Questão. Ufa!

 

 

Rotular o som da banda é uma tarefa bastante árdua. Quando você pensa que é rock, entra uma passagem reggae. Quando você acha que é pop, vem uma música pesada. Ninja, como você definiria o som da Questão de Honra?

 

Barulhos (risos). Como você mesmo disse é difícil rotular. Fazemos uma salada de frutas musical, temperada com muita irreverência e bom humor. Temos como base o rock, mas não esquentamos muito em ficar num estilo só. Acho que é isso. Na verdade fazemos o que dá na telha, e o que a música pede, as vezes parece que sentimos a música se levanta da “folha” e nos diz “essa parte tem que ser funk”. (risos)

 

Aproveitando o embalo da pergunta anterior, quais são suas influencias enquanto músicos e que bandas vocês costumam ouvir?

 

Somos influenciados por tudo. Desde o brega ao rock, em todos os anos e de todas as vertentes. Acontecimentos cotidianos,vivencias pessoais, experiências desastrosas, pessoas e seus trejeitos, enfim é uma influência vastíssima. Temos como principal proposta, levar aos palcos o nosso melhor, com muita alegria, e pra isso temos que ser sinceros, uma sinceridade bagaceira eu diria, seja nas composições ou em covers, o principal objetivo é divertir a todos. Já ouvir, eu, por exemplo, ouço de metal extremo a Vivaldi. Somos ecléticos por natureza e isso se reflete em nosso trabalho como um todo.

 

De onde veio a idéia de lançar EPs virtuais e qual a vantagem disso?

Bom, a idéia eu busquei nos gringos (EUA), pesquisando em noites a fio na internet maneiras de divulgação de trabalho independente, vi que este era mais em conta. Não que eu curta os gringos, mas eles estão bem avançados nesse lance de música independente. A vantagem é que o pessoal acaba conhecendo seu trabalho através dos EPs, já que através das rádios só pagando. (risos) Mas tem algumas rádios que tocam nosso som, por acreditarem na nossa música e não por Jabá.

 

Como foi a gravação do novo clipe, “Envenenado”? E como surgiu a idéia de juntar a música “Valsa da Cidade” como introdução para o vídeo?

 

Foi uma loucura, mais de 12 locações, muitos figurinos, bom, pra você ter uma idéia foram seis horas de imagens que resultaram nos quatro minutos de clipe. Pra mim especialmente foi uma experiência legal, até peladão tive que ficar (risos). Não sei como a mulherada das revistas masculinas conseguem cara, tinha mais oito caras da produção no set, e eu lá peladaço, uma viagem. Mas enfim o resultado foi muito legal. Sobre a introdução, assim como tudo no clipe saiu da cabeça cabeluda do Matias, e é quase um “bônus” pra galera que curte a banda, afinal fica dois em um né? Tivemos também a colaboração de diversas pessoas que cederam suas próprias moradias para cenários (locações) do clipe, Isso ajudou pra caramba.

 

Quando conversamos com Marcelo Rossi da banda Exxótica, ele nos disse sobre as dificuldades de ser uma banda independente em nosso país. Como vocês vêem este cenário para a banda Questão de Honra?

 

A falta de apoio, de respeito, falta de espaço e credibilidade tornam a caminhada árdua. Mas depois de uma certa evolução acreditamos que será fácil. Fácil para os possíveis produtores (risos). Sabe como é, no inicio que é quando precisamos de apoio de verdade, temos que fazer tudo sozinhos. Depois, os que vão divulgar o nosso trabalho e ganhar muito com isso é que nos procuram. Resumindo, ser artista em qualquer lugar é complicado. Independente então,...
Tem que gostar da coisa toda cara...

 

Vocês têm planos de se manterem independentes ou pretendem se associar a uma gravadora major algum dia?

 

Na verdade não somos arautos da independência não, e nem somos independentes por opção. Claro que no dia que tivermos uma proposta justa de uma major cairemos dentro. Mas até agora cara, eles só tão afim de explorar, por isso recusamos algumas. Claro que seria mais bonitinho eu fazer um discurso do tipo “Independentes tem música de verdade, o resto é lixo” , mas não é a real da coisa né? Quantos caras ficaram protestando contra as grandes gravadoras e depois foram parar numa, na maior cara de pau... Sei lá... Mas até agora só fizeram propostas furadas pra gente.



Escrito por Carlos Eduardo Garrido às 11h33
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Música: Entrevista – Ninja (Questão de Honra)_Parte 2

 

De onde vem a inspiração para as letras da banda, que geralmente são muito bem humoradas?

 

Tudo na verdade são situações que já passaram na minha vida. Desilusões amorosas, preconceito pela profissão que exerço, ciúme doentio de namoradas, ta tudo ali. A grande diferença é que ao invés de contar a minha vida fazendo draminhas (como fazem os Sertanejos e os Emos, tão na moda ultimamente) conto tudo fazendo piada de mim mesmo, e das situações vividas. Vendo o lado lúdico da coisa. Você pega um tema forte como o medo de envelhecer, por exemplo, sabe, é algo assustador, mas transformei em “Velho Jovem”. O nosso CD tem até um protesto contra a ditadura da moda em “Dia Feliz” só que de uma maneira bem desencanada. Mas, tenho que confessar cara, fiquei um pouco frustrado quando vi que as minhas piadinhas nem tem graça perto das piadas do Congresso Nacional, viu aquela do Renan ser absolvido, nunca vou contar uma tão engraçada (risos).

 

 

Conte-nos um pouco sobre o lado ativista da banda.

 

É muito engraçado ficar cantando coisas divertidas, agitando, ganhando calcinhas da mulherada, mas, não podemos pensar que só de coisas boas é feita a vida, né? Tipo, tentamos levar alegria por onde passamos mas, nem por isso, somos apenas um bando de palhaços sem responsabilidade. Por isso temos esta política humanitária da banda, pois sabemos que existem pessoas mais desfavorecidas, que vivem a margem do sistema e que só são lembradas em épocas de eleição. Então na medida do possível, tentamos alegrar um pouco essa galera carente também, mas não apenas com música, pois eles precisam de mais que isso. É um trabalho emocionante e super gratificante. Ver a criançada acreditando num futuro melhor, nem que seja por alguns minutos é algo que nenhuma palavra conseguiria definir. Entre as campanhas mais marcantes que fizemos estão a do “Natal um pouco mais Feliz” onde doamos mais de 300 guitarras de chocolate pra molecada carente da cidade, com direito a Papai Noel e tudo; o show em prol do meio ambiente, e é claro, a distribuição de mais de 700 preservativos no carnaval deste ano. Acreditamos que ser uma banda também é colaborar para fazer do lugar onde vivemos, um lugar melhor.

 

O nome Questão de Honra é bastante forte. Qual a origem dele? Ele tem algum significado especial para vocês?

 

Essa pergunta é legal (risos). Era uma vez uma banda sem nome e seus integrantes tentavam de todas as maneiras batiza-la, mas cada vez que achavam um nome legal, achavam também mais 4 ou 5 bandas com o mesmo nome. “Hoje vamos dar um nome pra esta banda, pois isso agora é uma Questão de Honra” foi a célebre frase de Ivair Alves, que acabou dando nome a nossa banda. É um nome bem legal, até por que pra gente alegria, diversão e responsabilidade social são uma Questão de Honra. Eu diria que é um nome que expressa bem tudo o que pensamos a respeito de música.

 

Vocês têm um público notório dentro do estado do Rio Grande do Sul e principalmente na cidade de origem da banda. Vocês têm pretensão de saírem pra outros estados divulgar a banda ou por hora ainda é inviável?

 

Na verdade é o que mais queremos, tocar pelos quatro cantos do Brasil e podermos viver da nossa música. Ainda está difícil, mas estamos abertos e lutando pra que isso aconteça o mais brevemente possível, afinal, ainda quero estar tocando com a mulherada ensandecida pulando na frente do palco (risos). Dizem que depois que o cara aparece na TV até bonito fica, essa é a minha esperança pelo menos. Será que rola? (risos). Até queria ser feio um dia só pra ver como é que era, mas ser feio todo dia, é triste. (risos)

 

Muito obrigado pela entrevista e espero que em breve a banda possa se apresentar aqui na região de Jaú. Agora o espaço é seu para deixar um recado para os fãs da banda e leitores do FHTE, sinta-se a vontade caso queira acrescentar algo.

 

Bem, em primeiro lugar quero agradecer o valoroso espaço, convidar a galera a visitar o nosso site www.questaodehonra.com , e a conhecer nosso trabalho, baixando nossas mp3, vendo nossos vídeo clipes e claro deixando seus comentários pra gente. E viva o Rock Nacional!! Felicidades a todos, e Carlão mais uma vez obrigado pelo espaço.

 

 

 



Escrito por Carlos Eduardo Garrido às 11h33
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