From Here To Eternity


Cinema: Jesus Christ Superstar Millennium

Como todo metaleiro malvadão que se preze, sempre que ouvia falar em musicais, vinha em minha cabeça pessoas dançando e cantando ao invés de simplesmente falarem, e minha primeira reação era virar a cara. Isso durou certo tempo, até que meu lado xiita começou a, realmente, ficar de lado.

Até porque não teria sentido eu não gostar de musicais, já que eles unem duas das coisas que mais gosto, música e cinema.

Certa vez minha irmã resolveu alugar a versão cinematográfica do Fantasma da Opera, aquela de 2004, com o machão Leônidas, digo Gerard Butler, no papel do tenor mascarado. Eu assisti o filme e gostei bastante, mais das músicas do que do filme em si, diga-se de passagem, ainda que tenha gostado bastante também.

Depois, só fui ter contato novamente com musicais quando assisti na TV algumas cenas de Chicago. E para minha própria surpresa, gostei do que vi. Parando para pensar um pouco. Percebo que eu já gostava desse estilo de filme muito tempo antes. Os famosos clássicos Disney eram recheados de personagens que cantavam enquanto lutavam, corriam ou nadavam. Ou seja, já estava condicionado a gostar desse tipo de coisa.

Mas antes que o(a) amigo(a) leitor(a) resolva fechar essa página virtual e voltar a fuçar no Orkut alheio, vamos ao que interessa. E o que interessa nesse momento é o filme Jesus Christ Superstar. Mas precisamente o remake de 1999, produzido pela HBO especialmente para TV. Que também é conhecido como JCS 2000 ou JCS Millennium. Com a dupla Glenn Carter e Jérôme Pradon fazendo os papéis de Jesus e Judas, respectivamente.

Antes um pequeno histórico. JCS foi escrito pela dupla Tim Rice e Andrew Lloyd Webber, os mesmo que escreveram O Fantasma da Ópera. A princípio, era pra ser um musical da Broadway, porém, não conseguiram patrocínio suficiente para colocar o espetáculo em cena. Então, em 1970, gravaram um disco com a trilha do musical, com Jesus interpretado por Ian Gillan. No ano seguinte, a peça foi de fato para os palcos. Porém, sem Gillan, que a essa altura já estava ocupado demais com o Deep Purple. Em 1973, uma versão para cinema é produzida, tendo Ted Neeley no papel do rei dos judeus e Carl Anderson como Judas. Daí pra frente, o musical se tornou um dos mais populares da Broadway, ganhando versões e apresentações em inúmeros países mundo afora.

O musical conta a historia dos últimos sete dias de Jesus Cristo na terra. Desde sua chegada à Jerusalém até sua crucificação. O enredo ocorre seguindo os evangelhos bíblicos e tem até bastante semelhança com eles. Porém, boa parte do longa é focado na visão do apóstolo Judas Iscariotes. Que aqui questiona a falta de planejamento de Jesus e o fato da seu nome estar ficando maior do que sua própria causa. Quanto a história, creio que não preciso me estender mais, já que nesse país até os ateus conhecem bem a cronologia dos fatos.

As musicas são todas de muito bom composto. Guiadas por rock n roll da melhor qualidade e grandes interpretações vocais, todas tem sua importância dentro do enredo. Mas eu destacaria Heaven On Their Minds, The Last Supper, Everythings All Right e principalmente Gethsemane (I Only Want To Say), que é, sem dúvidas, uma grande interpretação e um dos momentos mais fortes. Onde Jesus, depois da Santa Ceia, questiona Deus sobre o porquê ele deve morrer.

Comparações com a versão de 1973 são inevitáveis. Para mim, essa versão de 1999 chega até a ser superior que a antiga. Mas os que pensam como eu, são raros.

Fazendo uma rápida pesquisa por sites e comunidades do Orkut relacionadas, logo percebemos que a versão de 1973 é muito mais bem aceita pelos fãs. Enquanto que a versão Millennium, é praticamente motivo de ódio pelos fanáticos. As argumentações vão desde simples xingamentos e avacalhações até ao fato de Glenn Carter parecer um vocalista de Metal Melódico cantando ou de ser músico formado em conservatório. Mas qual o problema de se parecer com vocal de Metal Melódico? Ei, eu gosto desse tipo de música! E vejo menos problema ainda em ser músico formado...

Concordo que o “Jesus clássico” interpretado por Ted Neeley é muito bom, mas também não é esse Deus que todo mundo diz. Para mim, voz de Glenn é muito mais limpa e bela do que a de Ted.

Mas, em minha opinião, a nova versão se sobressai principalmente no que toca a parte interpretativa. Os atores parecem muito mais atores do que na antiga. Ou seja, eles não apenas cantam, mas também interpretam. Sem contar que a edição é melhor, o que ajuda bastante, já que os ângulos são melhores colocados para cada cena. Ao contrário da filmagem de 73, onde os personagens cantam com grande emoção, mas suas expressões físicas não acompanham.

Continuando a sessão “advogado do Diabo”. Acredito que o instrumental também melhorou, apesar de serem as mesmas músicas. Isso provavelmente se deve ao simples fato das melhores condições de gravação existentes.

Porém, os figurinos e cenários antigos são bem melhores. Enquanto nele as filmagens ocorreram no deserto de Jerusalém, na versão Millennium usaram apenas uns poucos cenários meio toscos e bem falsos. Quanto ao figurino, em 1973, os apóstolos se vestiam como hippes e agora aparecem como pseudo-soldados com calças camufladas e regatas coladas ao corpo. Chega a ser um negócio meio gay...

Em resumo, e deixando de lado comparações, este é um dos melhores musicais já compostos em todos os tempos. Se você ainda não teve o prazer de assistir o filme, assista o quanto antes e não se preocupe com qual versão ver. Ambas são muito boas e provavelmente você mudará sua forma de ver a música.

E fãs do Ted Neeley fiquem a vontade para comentar e criticar. Mas façam isso usando argumentos e não xingamentos. Que venham as pedras!



Escrito por Carlos Eduardo Garrido às 19h16
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