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Lipstick – Lipstick (Thurbo Music, 2008)

Não sei por que, mas toda vez que me deparo com capas de CDs que vem com avisos do tipo: “Incluindo os sucessos”, tremo de medo. E isto aconteceu com o este álbum homônimo da banda Lipstick, que tem o tal selo estampado em sua embalagem. Porém, a banda formada só por garotas, a saber: Mel Ravasio (Vocal), Carol Navarro (Baixo), Michelle Oliveira (Teclado), Dedê Soares (Guitarra) e Tila Gandra (Bateria), não faz feio no que se propõe a fazer. Ou seja, um rock n roll acelerado e com um forte acentuo POP. Para situar melhor o leitor, a banda soa como uma mistura de Leela e CPM 22.
E se o estilo não é dos que mais agradam este redator, a competência das garotas é inegável. Todas são muito boas com seus respectivos instrumentos, principalmente a vocalista e a baixista. A primeira possui uma voz agradável e vai bem tanto nos tons altos como nos mais graves. Enquanto a segunda, faz boas linhas em todas as músicas, muitas vezes dando um toque especial a elas.
Apesar de todas as músicas seguirem mais ou menos o mesmo estilo, com guitarras extremamente bem cuidadas, para serem pesadas o suficiente pra ser considerado rock, e limpas na medida para tocarem nas rádios, e refrões chicletes, que grudam logo na primeira ouvida. Experimente ouvir Cada Segundo Que Eu Tinha ou Nunca Mais e não sair cantarolando, quase inconscientemente, o seu refrão. Outros destaques são as músicas Temporal, Tempo Livre, Nossa História, com ótimos backing vocals e Descontrolada, uma das mais rápidas do álbum.
A banda só erra quando resolve fazer baladas. Eu Sei, uma daquelas indicadas como “um dos sucessos inclusos no CD” é chatinha, ainda que realmente seja um sucesso, já que toca exaustivamente nas rádios brasileiras. Assim como a intimista Por Acaso, que não consegue empolgar nem quando fica mais agitada em sua metade. Outro ponto fraco é a infantil e extremamente POP Na Na Na, que tem um refrão que chega a constranger, de dão bobinho. Por sinal, essa é a única música não assinada pela banda.
Um disco que fatalmente vai colocar o grupo na ponta das listas de “Revelação do Ano” em diversos programas, rádios e sites “especializados”. E com certeza vai cair nas graças de uma penca de adolescentes que ainda estão descobrindo o rock.
Escrito por Carlos Eduardo Garrido às 11h30
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Música: Sangüinea – Vermilion (Independente, 2008)

Quando recebi o debut da banda Sangüinea, pouco ou nada sabia sobre ela. Ainda antes de colocar a bolachinha pra rodar, fui buscar informações sobre o grupo goiano, formado por Ricardo Machado (guitarra e vocal), Cristian Dean (guitarra), Vinícius Braga (baixo), Fabrício de Castro (teclado e vocal) e Kamilla Perillo (bateria). E fiquei muito feliz ao saber que praticavam um Gothic Metal com letras em português e com influências muito boas, como Moonspell, Type O Negative, Rammstein, Metallica entre outras.
E o resultado não poderia ser diferente do encontrado em Vermilion. Logo na faixa de abertura, Misantropia, a banda já mostra à que veio. Teclado dando um tom soturno, ritmo cadenciado e forte, bom desempenho da banda como um todo e o vocal ora mais melodioso, ora gritado. Uma das melhores do álbum, sem dúvida alguma.
Renfield lembra bastante os portugueses do Moonspell, com bons riffs de guitarra e um vocal bastante grave e melodioso. Aliás, a banda acerta mais quando utiliza esse estilo vocal.
A terceira faixa, Versos Íntimos, é uma homenagem ao poeta Augusto dos Anjos, trata-se de um de seus poemas musicados. O resultado ficou à altura, com o vocal praticamente recitando o poema e um instrumental bem encaixado.
Com um clima propiciado pelos teclados que lembra Dimmu Borgir, Spiral é outro bom momento do álbum, com grande performance do baixista.
Remorso Póstumo é outro poema musicado, dessa vez do autor francês Charles Baudelaire. O resultado é muito positivo, com um clima arrastado que acelera e desemboca num momento que lembra muito Iron Maiden, depois caí novamente pra chegar num final veloz e caótico.
Enquanto Psicodrama vai à mesma linha da anterior, ora lenta, ora veloz. Porém sem o mesmo brilho, apesar de ter um bom refrão. Diário de Nosferatu também não consegue manter o mesmo nível das cinco primeiras faixas. Porém a seguinte obtém este êxito. James Dean Deadstyle é uma música veloz, com boa presença do teclado, outra dentre as melhores do álbum.
A última música de Vermilion é a única em inglês. Alice in Wrongland tem um bom instrumental e um vocal forte. Mas a impressão que dá é que o vocalista se sai melhor com as letras no “idioma-mãe”. Parece que no idioma bretão as letras não se encaixam tão bem em suas linhas vocais. O que é estranho, uma vez que geralmente o que acontece é o inverso.
Falando nas letras em português, elas causam certa estranheza nas primeiras audições, não há como negar isso. Porém, depois que se acostuma, elas fluem muito bem e se encaixam bem nas músicas e no propósito da banda. O idioma pode ser o grande trunfo da Sangüinea ou também o grande problema. Já que sabemos o quão xiitas são os fãs de Heavy Metal. De qualquer forma, a proposta é inovadora e corajosa.
Algumas ressalvas ainda devem ser feitas. A produção do debut está bastante cristalina, todos os instrumentos estão audíveis. Mas talvez um pouco mais de peso na guitarra não iria fazer mal. À parte gráfica, apesar de bem trabalhada, pecou um pouco, o tipo escolhido para escrever o título das músicas é de difícil assimilação, ainda bem que dentro do encarte, as letras em si são mais fáceis pra serem lidas.
Acredito que se a banda manter o mesmo nível, e não esbarrar nos problemas com o idioma, poderá deixar sua cripta e ir muito mais longe.
Escrito por Carlos Eduardo Garrido às 11h28
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