From Here To Eternity


 Agora já posso ser jornalista... e você também

 

Agora é oficial, para exercer a profissão de jornalista não é mais necessário ter diploma. A medida foi tomada ontem pelo STF. O principal argumento para está decisão é de que a liberdade de expressão e de pensamento é constitucional e todo e qualquer cidadão tem direito, não só aqueles com nível superior. Concordo que todos têm o direito de se expressar e dizer o que está pensando. Porém, a responsabilidade de dar qualquer opinião, quando ela é publicada em um meio de comunicação de massa, é enorme e nem todo cidadão teria condições éticas ou morais para arcar com tamanha responsabilidade social.

 

Além disso, fazer jornalismo é antes de tudo uma profissão como qualquer outra. Uma profissão que necessita de conhecimentos técnicos para ser realizada. Não se trata apenas de escrever, de narrar fatos. Jornalismo não é literatura. O jornalista trabalha sempre com a realidade, não existe ficção no mundo dos jornais. Tudo o que se publica deve ser averiguado e qualquer informação trás consequências, que podem ser seriíssimas, para a sociedade.

 

Banalizar a profissão de jornalista é como dar uma arma de fogo para um cidadão destreinado em seu manuseio. Ele sabe que tem um item muito poderoso em sua mão, mas talvez não saiba como usar e nem as consequências que seu uso pode trazer. Na tentativa de se salvar de um assalto, ele pode acabar ferindo inocentes, cometendo injustiças ou até mesmo acabar sendo morto. A mesma coisa é com o jornalista, é preciso um conhecimento prévio, é necessário conhecer as armas que possui e saber usá-las com responsabilidade. Não é simplesmente sair por aí atirando ou escrevendo.

 

O poder da mídia é tão grande que comumente ela vem sendo chamada de “O Quarto Poder”. Para se ter uma idéia, uma vez Napoleão Bonaparte disse “Três jornais me fazem mais medo do que cem mil baionetas” E de fato, ele era uma pessoa inteligente, pois os meios de comunicação de massa exercem grande influência no mundo. Presidentes podem ser derrubados, pessoas podem ter suas carreiras arruinadas ou acendidas através da mídia, países podem entrar em guerra. Há de se concordar que é um poder que não pode ser dado a qualquer um.

 

Para tomar essa decisão desrespeitosa e equivocada, o que muito se discutia é que muitas pessoas importantes ligadas a grandes (e a pequenos) jornais não tem diploma e mesmo assim são muito respeitados dentro da profissão. Essas pessoas geralmente têm conhecimentos específicos que possivelmente um jornalista comum não teria. São profissionais de outras áreas, como economistas, ex-atletas, políticos, cientistas, etc. que atuam como comentaristas em diversos veículos da mídia.  Nesses casos, há de se concordar com a não-obrigatoriedade do diploma  (ainda que mesmo assim ele fosse deveras bem vindo), pois, eles tratam em seus textos de assuntos específicos de seu próprio ramo de atividade. Porém, mesmo nestes casos, tudo o que eles escrevem passa pelas mãos de  um editor, que até então era formado em jornalismo, para só depois ser publicado.

 

Sendo o jornalismo uma profissão como qualquer outra, porque para exercê-la não é necessário ter estudo? Então, pressupõe-se que para ser médico, engenheiro, professor, advogado, dentista ou qualquer outra coisa também não deveria precisar estudar. Já que convivendo com qualquer profissional de qualquer uma das áreas citadas acima e talvez lendo alguns livros por conta própria, vamos aos poucos ganhando experiência e em pouco tempo também poderemos exercer tal função.

 

O interessado começaria como auxiliar ou aprendiz de médico e convivendo dia-a-dia com o doutor, logo começaria a ganhar experiência e dentro de alguns anos poderia abrir sua própria clínica e realizar suas próprias consultas. 

 

Aqui encerro meu desabafo com a certeza de que mesmo antes de terminar o curso acadêmico, já posso ser taxado de jornalista neste país desgraçado maravilhoso. Gostaria de convidar o meritíssimo Gilmar Mendes para produzir um documentário, um programa de rádio ou mesmo uma simples reportagem. Com certeza ele tem competência suficiente pra isso... Ô se tem... 



Escrito por Carlos Eduardo Garrido às 12h41
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