Em uma bela manhã de domingo, (9 de agosto, Dia dos Pais) eu e minha querida namorada Paula resolvemos ir tomar café da manhã na cidade. Com um pouco de esforço vencemos a preguiça e saímos de casa por volta das 9h30. Tudo bem, não é um horário que se diga: “nossa, como acordaram cedo”, mas para um domingão era praticamente madrugada.
A primeira opção que pensamos foi o Mcdonalds (sim, eles vendem café da manhã) que tem um cappuccino grande e um croissaint delicioso. Teoricamente o café era servido no estabelecimento até as 11h. Porém, quando chegamos lá, nem aberto o estabelecimento estava. “Poxa, será que eles abrem às 10h?”. Mesmo se abrissem não íamos esperar. A segunda opção foi o digníssimo Jaú Shopping.
Descendo a Rua 7 de Setembro, nos deparamos com uma guarda de trânsito bloqueando o caminho e indicando para que dobrássemos a esquina para entrar numa rua da qual eu não tenho idéia do nome. Não entendemos o motivo do desvio imposto, mas foi possível ver uma ambulância para mais a frente. No novo percurso o trânsito estava tenso, mal conseguimos movimentar o carro. Pois além daquela rua estar bloqueada, ainda tinha o agravante da feira estar próxima, o que deixava tudo ainda mais lento.
A essa altura, o relógio já beirava às 10 da manhã. E como a gente ainda estava próximo da Av. Ana Claudina, a Paula teve a idéia de passar novamente em frente ao Mcdonalds, só pra desencargo de consciência. Mas não adiantou, ainda estava fechado. Caramba, como o Mc ainda podia estar fechado? Se eles servem café da manhã até as 11h, que horas será que eles abrem? As 10h50? Isso não fazia sentido algum. O fato era que a grande franquia de fast food estava fechada e não parecia que ia abrir tão cedo. Esse é o tipo de coisa que é digna de acontecer só em Jaú mesmo.
Mas tudo bem, então vamos mesmo ao Shopping. Cruzando o centro da cidade, reparei que uma outra opção, a “Doceria Renata”, também encontrava-se fechada. No problem nós não íamos parar lá mesmo.
Subindo a rua da Igreja São Sebastião. Reparei que havia um “verdinho” estacionado com sua moto na esquina com que dá na rua do Senac (exatamente o caminho que eu tinha em mente para chegar aos Shops Centis). Falei “será que ele também vai desviar minha rota?”. No instante em que disse isso, avistei uma moto virando aquela rua e o verdinho não teve reação nenhuma. Vendo essa cena, fiz a mesma coisa, virei ali tranquilamente. No exato momento em que passei ao lado da moto do verdinho, ouvi um apito histérico e apavorante. O guardinha soltou todo seu ar naquele apitinho e começou a bradar desesperadamente “Não pode! Não pode! Por aí não pode!” Imediatamente levei um baita susto e senti minha cara corar de vergonha ao mesmo tempo em que já engatei a ré do carro e comecei a ir para trás. Mas o verdinho também não me deixou voltar. “Agora vai, continua indo pra frente. Mas vá devagar. Vai, vai.”. Foi o que eu fiz, continuei indo para frente bem devagarzinho, quando notei que alguns pedestres vestidos como maratonistas começavam a passar ao lado do carro. Então entendi porque não podia transitar com meu automóvel. Estava tendo uma corrida ali. A cena foi digna de comédia, depois do guarda chiliquento, o carro estava envolto por maratonistas correndo por todos os lados. Ao passo que minha namorada começou a rachar o bico de dar risada. Eu ainda assustado e envergonhado e ela se deliciando de rir com a cena bizarra.
Um pouco mais para frente, passando fronte ao Senac, um outro guarda advertiu mais uma vez: “Vai devagar, vai devagar”. Eita, eu já estava devagar o suficiente, se eu diminuísse mais, iria parar o carro. Finalmente, entrei na avenida Dr. Quinzinho e me livrei do pesadelo dos maratonistas, enquanto a Paula ainda recuperava o fôlego das gargalhadas.
Assim que parei o carro no estacionamento do Shopping, veio o pensamento “só faltava o shopping estar fechado também”. Nisso vimos um rapaz chegando em frente a porta eletrônica, ela abriu e ele entrou. “Ufa, tá aberto sim, lógico”.
Entretanto, quando entramos dentro do shopping percebemos que ele não estava tão aberto assim. As luzes ainda estavam apagadas e notamos que, pelo menos no andar de baixo, apenas a loja d'O Boticário estava aberta. Ainda tínhamos esperança que a praça de alimentação deveria estar aberta ou o Café Mundi e a Copenhagen apenas. Se um deles estivesse aberto, já estaria bom. Mas ambos estavam fechados, assim como todo o restante da praça de alimentação e das lojas. Por sorte, tanto eu como a Paula já havíamos comprado nossos presentes para o dia dos pais, porque se tivéssemos deixado pra comprar na manhã de domingo no shopping estaríamos na água. E foi assim que muitas pessoas pareciam ter se sentido, “na água”. Pois diversas pessoas adentraram o shopping nos minutos em que permanecemos ali e pareciam decepcionados com portas abaixadas e as luzes apagadas. Com certeza muitos lojistas deixaram de lucrar um pouco nessa manhã. Absurdo o shopping ainda não estar funcionando essa hora. Mais uma coisa digna de acontecer só na tosca grandiosa cidade de Jaú. Nunca imaginei que seria tão difícil tomar um cafezinho.
Quando já estávamos pensando em desistir, lembramos que o Jaú Serve ao lado do Shopping tinha uma cafeteria. E foi pra lá que fomos. Para nossa sorte o local estava aberto (nessa altura do campeonato, já considero sorte mesmo). Sentamo-nos, olhamos atentamente o cardápio e tanto eu quanto ela optou por cappuccino e pão de queijo. Ufa, finalmente teríamos uma bela refeição matinal.
Mas de repente, o garçom aparece na nossa mesa e educadamente diz “Vocês pediram dois cappuccinos e dois pães de queijo, correto?” – respondi que sim, e ele continuou – “O pão de queijo ainda está no forno, vai demorar mais uma meia hora pra ficar pronto. Vocês querem esperar ou preferem trocar com alguma coisa?”. Olhei no cardápio e vi que para um café da manhã a única opção era mesmo a receita mineira. Mas como não estava a fim de esperar, pedi uma coxinha. Minha namorada relutou um pouco em querer alguma outra coisa, entretanto acabou decidindo por uma esfirra de frango. Não era exatamente o que tínhamos em mente, mas tudo bem, tá valendo.
A saga do café finalmente havia terminado. A conclusão que fica é que Jaú nos surpreende a cada dia. Ainda bem que eu só queria tomar um cappuccino, coisa comum. Pois se tivesse um gosto fora do comum, com certeza iria ficar sem. Já que uma coisa simples foi tão difícil de conseguir, imagine se fosse algo fora do comum.
Mas minha manhã ainda não estava completa. No meio do caminho até a casa do meu amorzinho, foi surpreendido com uma ligação do serviço. Sim, era domingo e eu estava de plantão. Mas essa é uma outra história...
Nesse domingo ainda constatei que o pneu do meu carro estava furado...
PS: Só pra constar, o restante do meu domingo foi muito bom J